quinta-feira, 27 de maio de 2010

Mulheres Maduras


(Fragmentos de “ A Poética do Sexo, incluso no livro Arte de Amar de Ovídio, escrito em 43 a.c. , 17 ou 18 d.c. na Itália”)



(...)

Lembro-te, jovem, que as mulheres maduras são mais sabidas na matéria.

O seu saber é fruto da experiência

de que é feito o artista. Com cuidados

são os estragos dos anos reparados

e não há artifício que não ponham

ao serviço de a velhice afugentar.

Elas festejam a tua fantasia

mil atitudes tendo no amor.

Nunca nenhuma antologia

de lascivas pinturas

mais variadas posições imaginou.

Nasce o prazer naturalmente e não

duma artificial provocação.

Para que jorre a fonte do prazer

é necessário que o homem e a mulher

igualmente o partilhem.



Odeio o coito quando não é mútua

a desvairada entrega dos amantes

(eis por que encontro menos atrativos

no amor praticado com rapazes).

Abomino a mulher que se entregou

apenas porque tem de se entregar

e que nenhum prazer experimentando

frigidamente faz amor pensando

no novelo de lã.

Aborrece-me os frutos recolher

das volúpias que me oferecem por dever.

O dever não me agrada na mulher.

Quero ouvir as palavras que traduzem

a alegria que sente a minha amante

quando me pede para ir mais devagar

e o ímpeto suster.

Quero ver a mulher de olhos rendidos,

exausta mulher que desfalece

e que por muito tempo não consente

que lhe toquem no corpo dorido de prazer. (...)

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