(Fragmentos de “ A Poética do Sexo, incluso no livro Arte de Amar de Ovídio, escrito em 43 a.c. , 17 ou 18 d.c. na Itália”)
(...)
Lembro-te, jovem, que as mulheres maduras são mais sabidas na matéria.
O seu saber é fruto da experiência
de que é feito o artista. Com cuidados
são os estragos dos anos reparados
e não há artifício que não ponham
ao serviço de a velhice afugentar.
Elas festejam a tua fantasia
mil atitudes tendo no amor.
Nunca nenhuma antologia
de lascivas pinturas
mais variadas posições imaginou.
Nasce o prazer naturalmente e não
duma artificial provocação.
Para que jorre a fonte do prazer
é necessário que o homem e a mulher
igualmente o partilhem.
Odeio o coito quando não é mútua
a desvairada entrega dos amantes
(eis por que encontro menos atrativos
no amor praticado com rapazes).
Abomino a mulher que se entregou
apenas porque tem de se entregar
e que nenhum prazer experimentando
frigidamente faz amor pensando
no novelo de lã.
Aborrece-me os frutos recolher
das volúpias que me oferecem por dever.
O dever não me agrada na mulher.
Quero ouvir as palavras que traduzem
a alegria que sente a minha amante
quando me pede para ir mais devagar
e o ímpeto suster.
Quero ver a mulher de olhos rendidos,
exausta mulher que desfalece
e que por muito tempo não consente
que lhe toquem no corpo dorido de prazer. (...)
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